Automação abre espaço para empreendimentos criativos



Fernanda Romano, sócia da Malagueta, é colunista na Época Negócios e escreve às sextas-feiras. Confira:

 

Em seu livro Makers – The new Industrial Revolution, Chris Andersson, antigo editor-chefe da revista Wired, apresenta a tese de que estamos entrando em um novo momento para a manufatura, onde qualquer um com boas ideias, alguma habilidade criativa e uma boa dose de empreendedorismo passa a fazer parte dessa nova onda da economia. “Em uma era de criação e produção em que tudo é sob medida ou até faça-você-mesmo, o potencial coletivo de um milhão de entusiastas e inventores de garagem está para se fazer sentir na economia” diz o livro.

 

Muito se fala sobre o momento em que as máquinas tomarão nossos empregos. Este vídeo de um dos centros de distribuição da Amazon mostra um exército de robôs trabalhando com algumas poucas pessoas em um armazém gigante. Em julho do ano passado, quando anunciava 90.000 funcionários pelo planeta, a empresa realizou um desafio de robótica no Japão, em que buscava uma próxima geração de máquinas para complementar sua força global, à época, de mais de 100.000 robôs, segundo a própria empresa.

 

Em 2013, os pesquisadores Carl Benedikt e Michael Osborne da Universidade de Oxford publicaram um estudo em que previam o desaparecimento da metade dos empregos nos Estados Unidos até 2033. Já um relatório da consultoria McKinsey em novembro do ano passado, fala que, até 2030, 800 milhões de pessoas no mundo todo perderão seus empregos atuais por conta da automação.

 

Pessoalmente, acho que todos esses números são extremamente conservadores. Estamos prestes a viver uma década de mudanças radicais no que tange à produtividade humana e precisamos repensar nossa interação com a sociedade, o sistema capitalista e, mesmo, as máquinas. Não é à toa que Elon Musk, Richard Branson, Stewart Butterfield, Pierre Omidyar e Andrew Ng, entre outros, saíram em defesa do chamado universal basic incomeuma renda anual garantida a cidadãos de uma cidade, estado ou país para que esses paguem pelo mínimo necessário para sobreviver. Sim, parece o Bolsa Família. Sim, é o Bolsa Família. E antes que você torça o nariz, saiba que programas como esse estão em testes na Finlândia e na Califórnia, com enorme sucesso até agora. Ao contrário do que podem prever os pessimistas, esses programas comprovaram que as pessoas se tornam mais produtivas uma vez que a pressão de ter o mínimo necessário para sobreviver sai de cena. Sem querer entrar em política e nem tampouco fazer juízo de valor, até porque não tenho acesso a todos os fatos e dados, imagino que era essa a intenção do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso quando concebeu do programa para o Brasil.

 

Confira o texto na íntegra aqui.